por alef mansur – setor de sopro da playtech teodoro sampaio
Quando o saxofone foi desenvolvido por volta de 1840 pelo belga Antonie Joseph Sax, seu sistema de acionamento mecânico teve inspiração no feito do clarinetista alemão Theobald Boehm. No instrumento de Sax, montado sobre um tubo metálico cônico, contavam-se de 18 a 21 orifícios que combinados deixavam soar o cromatismo de duas oitavas e meia (Bb2 ao F#5) acionados de forma descomplicada, onde a disposição das notas compunham um diagrama funcional muito simples.
Foram explorados muitos recursos de digitação ao longo destes 168 anos de convívio com a obra prima de Adolphe Sax; onde o princípio da digitação combinava o dedilhado do oboé, com o sistema de acionamentos proposto por Boehm em 1832.
Algumas alterações já se propunham ainda na segunda década do século passado, como uma chave para o trinado do G#, disposta entre as chaves do E e F (na mão direita), presente principalmente em saxofones produzidos nos EUA. Em 1938 quando a francesa Buffet Crampon (reconhecida pela construção de clarinetes) montou uma sucursal nos Estados Unidos, convidou renomados construtores de saxofone e colocou no mercado um modelo assinado por cada um deles (entre os quais encontravam-se Frank Wolf e Carl Fischer); mas o ponto relevante deste comentário é que estes “Signature Models” tinham transpostas suas mesas como recurso á ser acionado com o dedo médio da mão direita. Os recursos foram dispostos em três mecanismos atrás da campana, ligeiramente acima das chaves de F, E e D. Outro tipo de recurso foi apresentado como um corretor de afinação… um ressonador do F para a 1a. e 2a. oitavas, localizado atrás do sax, antes e logo acima da curva que forma a campana; presente em alguns instrumentos americanos produzidos até a década de 30. Este ressonador é posto em ação num movimento oposto à chave de Fá, automáticamente; mas modifica a forma de digitação do G5.
A empresa francesa Vito, que anos mais tarde emprestou seu “design” a japonesa Yamaha, já tinha uma proposta para aquele que seria_ pelos músicos iniciantes_ o mais desejado recurso nos saxofones modernos, a chave de Fá sustenido agudo (F#5). A Vito a dispôs junto das chaves laterais (D5, D#5 ligeiramente abaixo da chave de F5) para ser acionada com o dedo anular da mão esquerda, já existiam instrumentos com o recurso onde o conhecemos, embora fosse mais cômodo na proposta francesa!
Os recursos que firmaram-se passaram a ser copiados por todos os fabricantes, entre outros possíveis aperfeiçoamentos, perduram, o F5 Frontal (chave acima do B4), o Bb médio, e agudo, na mão esquerda, o F#5 logo abaixo da chave de Bb lateral, acionado com a mão direita e o G# articulado pelas chaves de C#3, B2 e Bb2.
São recursos, todas as possibilidades de dedilhado alternativo encontradas em nossos instrumentos.
Por exemplo:
- F#3 e 4 na chave lateral acima da chave de F#5;
- Dó4 e 5 acionada com as chaves de B3 e 4 e a chave lateral (central) acima do mecanismo de Bb3 e 4.
- Bb somente na mão esquerda, (aquela com madre-pérola menor, entre as chaves de A e B) excelente para melodias em F Maior; ou acionado com os dedos indicadores das duas mãos em suas chaves de origem;
- Os superagudos são um capítulo à parte, pois fogem completamente ao convencional, e são extraídos por músicos experientes em posições que variam entre as marcas, os modelos e os tipos de saxes. Em determinados textos a utilização dos recursos agiliza a dedilhado dando-nos conforto e tranquilidade na execução, facilitando os trinados e alguns legatos, e ainda, na região aguda (a partir do Mi5) torna de forma geral o dedilhado bem mais flúido.
- Então, analise todas as possibilidades de seu sax, conheça as minúncias de seu funcionamento e não exite em adotar definitivamente a utilização, desde que sensata, de todos os recursos.
Lembrem-se: Recursos existem para tornar mais eficiente e rápida sua técnica de digitação; portanto, explore-os ao máximo e use-os sem contra-indicações.
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Leiam também: “Como Escolher um Saxofone”.
Arquivo: Janeiro de 2008.
URL: http://www.playtechnews.wordpress.com/2008/01/
Comentário por Alef Mansur Abril 16, 2008 @ 12:40 pm